Thursday, 15 October 2009

Nada deve parecer impossível de mudar


Nada é impossível de mudar

Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo,
o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito
como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.
Fonte do Homem-Letras andando: Twitter da Rosana (http://twitter.com/rosana)

Monday, 12 October 2009

Estudo sobre a viabilidade da chuva, do betume e de nós mesmos

Chuva na Barra, foto de Isabella Lychowski Barra, 10 de outubro de 2009
Livraria Prefácio, foto de Isabella Lychowski Botafogo, 11 de outubro de 2009
A cidade perfilou por duas semanas as insígnias da grande chuva: placas pelo chão, águas turvas debandando morro abaixo, pessoas maldizendo a cidade (não gosto, falam de si mesmas), meias molhadas azuis e cimento, muito cimento imiscuindo-se nas cores.
Alhures, pensei em como haveria de estar a lua atingida por dois foguetes alienígenas. Humpf, pqp, wtf!, mais ou menos isso.
O bom foi seguir por caminhos completamente novos, guiada pelo mapa das poças. De olhos grudados no chão, me via em lugares estranhos, embora os mesmos. Na verdade, nunca haviam sido os mesmos, caramba, eu é que não tinha deixado a ficha cair. Mas a chuva. Mas Heródoto. Mas a lua.
Está bem. Gosto de elipses. Mas não foi isso que quis dizer.
No cinema, a luz se acendeu de repente, tchum, e as garrafas (duas, embrulhadas no melhor papel) brotaram do chão. Ainda siderados pela lanterna mágica, nos entreolhamos perplexos e crentes que sim, era verdade tudo o que estava acontecendo, enquanto ajudávamos as moças do banco da frente a recolher a sua delicatessen. A verdade emergiu de maiô em nossos rios como mergulhadores aflitos. Rimos. O moço da limpeza chegou premente e nos lembrou que talvez fosse a hora de voltar ao domínio da chuva, nós, amigos profundos, ainda que completamente ignorantes de que lugar do rio havíamos emergido.
Depois, é claro, a fala, o diálogo, os espelhos, o mar. Decerto que iríamos repetidamente submergir e emergir, contentes, nos exalando, em círculos.
Satisfeita e grata, deixei-os para trás e tratei de me concentrar em equilibrar meu tênue guarda-chuva rumo a um caminho de pedras viáveis entre poças reluzentes. Ao longo da Riachuelo, descortinou-se chão, reflexos, halos, betume, impermanência.
O que vinha pela frente? Não sei, decerto que não.
Continuo preferindo as pessoas de alguma palavra.

Saturday, 3 October 2009

Vale o escrito

O bandeirão Foto publicada na capa do Jornal Extra, 03/10/2009
Google´s HomePage features Rio 2016 Google homenageia Rio 2016

Não ligo lá muito para esportes. Faço parte sim daquela turma que se anima "apenas" nas finais, hum, ok, semi-finais das Copas, ou na torcida pra que o Flu tome jeito. Embora tenha ficado neutra até quase os 46 do segundo tempo sobre a candidatura do Rio, me empolguei na hora agá e torci.

Acho que temos muito a melhorar. Acho que precisamos de melhores hospitais, melhores escolas, melhores condições de vida. Mas não acho que tudo isso e uma Olimpíada no Rio sejam excludentes.

Sou a favor. Sou a favor da boa saúde, da boa moradia, da boa Olimpíada. Wu wei pro Rio.

Veja imagem em 360º da comemoração do resultado em Copacabana.